CCTC - Centro Catarinense de Tratamento do Ceratocone

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Cross-linking

Cross-Linking do Colágeno


Figura 1
O Cross-Linking do Colágeno Corneano é indicado para evitar a progressão do ceratocone. O tratamento consiste em desepitelizar a córnea após anestesia tópica (colírio), instilar riboflavina (vitamina B2) e aplicar luz UV-A por 30 min (Figura 1). Tem como finalidade aumentar o número de ligações covalentes entre as fibras de colágeno para fortalecer a córnea e estabilizar a doença (Figura 2).





Os pacientes devem ter pelo menos 14 anos de idade e espessura corneana mínima de 400 µm no ponto mais fino (Figura 3). É contra-indicado para casos com cicatrizes na área central da córnea. Essa técnica, realizada na Europa desde 2000, tem apresentado excelentes resultados e risco mínimo de complicações.

Em estudo recente, publicado em 2008 foi demonstrada estabilização ou regressão parcial do ceratocone em todos os olhos após 1 ano do tratamento.
Fonte: Wittig-Silva C, Whiting M, Lamoureux E, et al.A randomized controlled trial of corneal collagen cross-linking in progressive keratoconus: preliminary results. J Refract Surg. 2008

Outro estudo publicado em 2008 demonstrou estabilização ou regressão parcial do ceratocone e do astigmatismo quase todos os pacientes. O estudo incluiu 241 olhos com avaliação de até 6 anos (Figura 4). Somente dois pacientes que apresentavam ceratocone e neurodermatite (uma doença sistêmica rara) tiveram evolução do ceratocone e foram novamente submetidos à crosslinking.
Fonte: Raiskup-Wolf F, Hoyer A, Spoerl E, Pillunat LE. Collagen crosslinking with riboflavin and ultraviolet-A light in keratoconus: long-term results. J Cataract Refract Surg. 2008.


Figura 2

Figura 3



Figura 4


Cross-Linking no CCTC

O CCTC foi o pioneiro no Estado na realização do Crosslinking, iniciando em 2007, atualmente com experiência de centenas de procedimentos. A terapia fortalece a córnea e evita a progressão da doença, o que permite que muitos pacientes permaneçam em estágios iniciais, evitando a evolução para transplante de córnea. Os médicos do CCTC ministram palestras em congressos nacionais e internacionais, demonstrando os excelentes resultados alcançados com o tratamento.

O aparelho de Crosslinking utilizado em nosso Centro é um dos mais modernos do mundo, estando já em sua terceira geração. O Aparelho CBM-X-Linker tem origem na maior companhia italiana de produtos oftalmológicos, a CSO, e é certificado pela União Européia. Apresenta sistema de vídeo integrado para controle de fixação e leds para perfeita centralização e distancia focal. A emissão luminosa é extremamente estável e homogênea, comprovada por vários estudos publicados (Figuras 5 a 8).


Figura 5

Figura 6

Figura 7

Figura 8


O que muda no olho com o tratamento?

Não há alteração estética no olho após o tratamento. Ao microscópio podem ser observadas as linhas de contração do colágeno corneano, o que é responsável pelo aumento da rigidez corneana. O acompanhamento é feito através de exames semestrais para avaliar principalmente a visão do paciente, a curvatura corneana e o astigmatismo.

Perguntas Frequentes

Quais as Indicações Atuais?
  1. Idade > 14 anos
  2. Ceratocones em evolução de Grau I a III
  3. Degeneração marginal pelúcida em evolução
  4. Ectasias iatrogênicas pós-cirurgia refrativa
Quais as contra-indicações?
  1. Espessura corneana < 400 um
  2. Presença de cicatrizes corneanas densas
Como é feito o tratamento?
O tratamento inicia-se pela anestesia, que é realizada com 3 gotas de colírio (anestesia tópica), seguido de remoção do epitélio da córnea (células da superfície corneana que regeneram posteriormente) com espátula, nos 9-mm centrais. O epitélio deve ser removido para que ocorra a penetração da Riboflavina (Vitamina B2) na córnea. Esta é aplicada através de gotas, por 30 minutos. Procede-se com a aplicação da luz UV-A por 30 minutos (Figura 11). O procedimento dura cerca de 1 hora e termina com a colocação de uma lente de contato terapêutica que servirá como um “curativo” enquanto o epitélio cicatriza, o que leva em torno de 7 dias. Após 7 dias a lente de contato deve ser removida. O paciente utiliza colírios antibióticos por 7 dias e antiinflamatórios por 1 mês. Os pacientes que usavam lentes de contato rígidas podem reiniciar seu uso após 2 meses.

Como é a recuperação? Há dor?
Até a retirada da lente de contato pode haver desconforto ocular associado a sensação de corpo estranho, ardência, lacrimejamento e dor leve a moderada. Após esse período os sintomas diminuem muito. A recuperação visual é gradual, em geral, voltando ao normal após 30 dias. Após o primeiro mês há certa estabilização da visão, podendo ocorrer sua melhora gradativa a partir de então. Alguns pacientes, entretanto, podem levar até 3 a 6 meses para melhora completa.

É importante salientar que a maioria dos pacientes requer alguma forma de correção visual (óculos ou lentes de contato) após a cirurgia, com objetivo de obter melhor visão.

O Crosslinking deve ser repetido?
O tratamento é realizado somente uma vez (sessão única) e sabe-se que seu efeito dura pelo menos de 5 a 7 anos. Não existem estudos que demonstram a necessidade de novas aplicações no futuro, porém essa hipótese deve ser considerada em pacientes mais jovens.

Quais são os Riscos?
Os riscos desta cirurgia são mínimos. Entre as complicações que eventualmente podem ocorrer temos: infecção; perda da transparência ou inchaço da córnea; visão dupla ou embaçada; leve ptose (queda) palpebral (temporário); edema (inchaço) ao redor do olho (temporário); irritação ocular (ressecamento ocular com coceira, ardência, sensação de areia e lacrimejamento)(temporário); Reflexos luminosos (ofuscamento visual). Ainda não existem casos descritos de complicações relacionadas à radiação UV-A, como Catarata ou doenças da retina. A maioria das complicações acima descritas são tratadas e solucionadas, ou ainda podem melhorar espontaneamente.

Que exames são realizados antes e após o Crosslinking?
De rotina realizamos:
  1. Topografia corneana – avalia a curvatura corneana
  2. Tomografia corneana – avalia a estrutura corneana, curvatura e espessura central e no ponto mais fino
  3. Paquimetria ultrassônica – avalia a espessura central
  4. Aberrometria corneana – avalia as aberrações corneanas de baixa e alta ordem
  5. Aberrometria ocular – avalia as aberrações oculares internas
  6. Estesiometria – avalia a sensibilidade corneana com estesiômetro de Cochet-Bonnnet
  7. Teste de Schirmer – avalia a produção lacrimal
  8. Microscopia especular – faz a contagem das células da parte posterior da córnea (endotélio)
Os exames são realizados antes (ou no dia do tratamento) e após 6, 12 e 24 meses. Após o primeiro ano o acompanhamento é anual.