CCTC - Centro Catarinense de Tratamento do Ceratocone

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Transplante de Córnea

Indica-se quando a córnea apresenta cicatrizes ou para ceratocones avançados quando não se obtém boa visão com LC. Em um estudo sobre ceratocone realizado no Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem, dos 881 olhos avaliados, 85% atingiram boa visão com lentes de contato e somente 5% precisaram ser submetidos a transplante de córnea.



A finalidade do transplante é substituir a porção central da córnea doente por uma córnea sadia doadora. Existem duas técnicas principais:

Transplante de Córnea Penetrante

Técnica de transplante mais utilizada em ceratocone, com a qual se substitui toda espessura da córnea. O tempo de recuperação varia de 6 a 12 meses e o sucesso é cerca de 90% em 5 anos e reduzi-se com o tempo.

Clique nos links abaixo para ver os passos do transplante de córnea penetrante.

» Córnea com ceratocone preparada para o transplante.
» Trepanação da córnea receptora (com ceratocone) utilizando trépano à vácuo.
» Córnea receptora é removida para permitir a sutura da córnea doadora.
» Córnea doadora é suturada com a técnica de 12 pontos interrompidos e 1 ponto contínuo 360º.
» Final da cirurgia.
» Pós-operatório do transplante penetrante de córnea.

Transplante Lamelar Profundo

Técnica que remove apenas as camadas anteriores da córnea. É difícil de ser realizada, mas representa uma boa opção quando a parte interna da córnea (endotélio) está saudável. A técnica mais utilizada é chamada de “Big Bubble” (Grande Bolha), pois ar é injetado na córnea para facilitar a separação entre as camadas superficiais e profundas (ver imagem). Nessa técnica, somente as 2 camadas mais internas (endotélio e membrana de Descemet) permanecem, enquanto que as 3 camadas anteriores (epitélio, camada de Bowmann e estroma) são substituídas.

Clique nos links abaixo para ver os passos do transplante lamelar profundo.

» Trepanação da córnea receptora (com ceratocone) utilizando trépano à vácuo.
» Injeção de ar na córnea para facilitar a separação entre suas camadas.
» Dissipação do ar internamente na córnea.
» Dissipação do ar internamente na córnea II.
» Remoção das camadas superficiais da córnea.
» Retoques finais antes de receber a córnea doadora. A membrana de Descemet e o endotélio que permaneceram são tão finos que são praticamente imperceptíveis na fotografia.
» Leito receptor recebendo a córnea doadora.
» Córnea doadora é suturada com a técnica de 16 pontos interrompidos.

As vantagens em relação ao transplante penetrante são: menor tempo de recuperação, maior sobrevida do transplante, menor risco de infecção e de rejeição.

Em uma córnea normal o endotélio (camada mais interna) é a que determina a sobrevida da mesma. Além disso, é a porção da córnea mais antigênica, isto é, que mais induz rejeição (aproximadamente 70 a 80% dos casos). Uma vez que no transplante lamelar profundo o endotélio não é substituído, a sua sobrevida é igual a de uma córnea normal (o ceratocone apresenta endotélio absolutamente normal) e não haverá a rejeição endotelial.

Complicações

A principal complicação de um transplante de córnea é o astigmatismo residual. Os estudos mostram que o astigmatismo corneano médio pós-transplante é de 4 graus (dioptrias) após 1 ano. O controle do astigmatismo é realizado durante a retirada de pontos no pós-operatório. Essa retirada dos pontos é gradual e inicia-se após 3 a 6 meses, dependendo da técnica de sutura utilizada. Outras complicações podem ocorrer em qualquer técnica de transplante, como: infecção, rejeição, glaucoma, distorção pupilar e defeitos de cicatrização.

Cirurgia Refrativa Pós-Transplante

Após o transplante é freqüente a necessidade de correção de grau. Conforme o caso indicam-se óculos, LC ou cirurgia refrativa a laser. A maioria dos pacientes voltam a utilizar lentes de contato, enquanto outros se submetem a cirurgia a laser para reduzir o grau. Nesses casos, o CCTC realiza tratamentos a laser personalizados, guiados pelo:

Wavefront corneano



Wavefront ocular total



O olho é tão único quanto a própria impressão digital de cada pessoa. Isto significa que embora certas pessoas tenham exatamente o mesmo grau (miopia ou hipermetropia e astigmatismo), elas podem apresentar imperfeições exclusivamente individuais, tecnicamente chamadas de aberrações de alta ordem. Tais imperfeições interferem na qualidade da visão, especialmente a noite e em ambientes pouco iluminados.


Com o objetivo de mensurar essas aberrações foram criados os aparelhos de Wavefront denominados aberrômetros, que são sensores de frente de onda (wavefront sensors). Eles podem ser um aberrômetro corneano (só da córnea) ou ocular total (do olho como um todo), e medem as distorções que a onda de luz sofre ao passar pelos meios ópticos oculares. Esses dados são transmitidos ao excimer laser que por sua vez procede com o tratamento. Portanto, o tratamento personalizado da córnea transplantada proporciona resultados mais precisos na correção do grau residual quando comparado com o tratamento convencional.